
Dois integrantes de uma facção criminosa foram condenados por extorquir comerciantes
Polícia Civil de Mato Grosso
Dois integrantes de uma facção criminosa foram condenados por extorquir comerciantes com a cobrança de uma “taxa da água”, em Cuiabá e Várzea Grande, região metropolitana da capital, por meio de ameaças e abordagens intimidatórias, em esquema que movimentou mais de R$ 1,5 milhão, segundo decisão da Justiça de Mato Grosso.
Foram condenados Ulisses Batista da Silva e Eduardo Virgílio de Oliveira Ajala. Já Lourival Pereira da Silva foi absolvido por falta de provas. Os três foram alvos da Operação Aqua Ilícita, cumprida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) no ano passado, que já investigava o esquema de extorsão na cobrança de taxa de água.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp
Em nota, a defesa de Eduardo afirmou que a condenação se baseia principalmente em informações do inquérito policial e não em provas apresentadas na Justiça. Segundo os advogados, também não há provas concretas que liguem o acusado ao crime, como mensagens, registros financeiros ou outros elementos objetivos.
A defesa de Ulisses também se pronunciou e afirmou que vai recorrer da decisão por considerá-la injusta. Já a defesa de Lourival informou que a absolvição confirma que não havia provas suficientes para comprovar a participação dele nos fatos investigados. A defesa destacou ainda que nenhuma vítima ou testemunha o reconheceu e que não houve provas técnicas ou documentais contra ele.
De acordo com a sentença, assinada nesta quinta-feira (19) pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, os condenados integravam a facção Comando Vermelho e atuaram entre novembro de 2024 e março de 2025, cobrando R$ 1 por cada garrafão de água vendido por comerciantes da região. As cobranças eram feitas tanto por mensagens em aplicativos quanto de forma presencial.
Segundo a investigação, o esquema ficou conhecido como “Projeto da Água” e funcionava com divisão de tarefas entre os integrantes. Parte do grupo fazia contato com os comerciantes, enquanto outros eram responsáveis por ir até os estabelecimentos cobrar os valores e reforçar as ameaças.
Depoimentos de vítimas apontam que os comerciantes se sentiam obrigados a pagar por medo de represálias, como violência, incêndios e outros ataques. Em alguns casos, as cobranças eram feitas semanalmente, podendo chegar a R$ 500 por semana ou até R$ 2 mil por mês.
Ainda conforme a decisão, Ulisses também foi condenado por lavagem de dinheiro. A Justiça apontou que ele utilizava empresas de fachada e contas de terceiros para movimentar valores obtidos com as extorsões e ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Já Eduardo Virgílio foi identificado como responsável por realizar abordagens presenciais aos comerciantes, sendo reconhecido por vítimas como um dos executores das cobranças.
Relatórios financeiros indicaram movimentações superiores a R$ 1,5 milhão, incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. A sentença aponta que o grupo atuava de forma organizada e estruturada, com divisão de funções, o que caracterizou o crime de organização criminosa, além da prática de extorsão.
A decisão também manteve a prisão preventiva de Ulisses e Eduardo Virgílio ao negar que eles recorram em liberdade. Segundo o juiz, a medida é necessária para garantir a ordem pública diante da gravidade dos crimes. Já Lourival teve a prisão preventiva revogada e foi colocado em liberdade.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Operação Aqua Ilícita
O trio foi alvo da Operação Aqua Ilícita em março do ano passado, que foi cumprida em Cuiabá, Várzea Grande, Nobres e Sinop. Na época, ao todo, foram cumpridos 60 mandados de busca e apreensão, 12 mandados de prisão e sequestro de bens e valores, incluindo 33 veículos.
Durante as investigações, a polícia apurou que o grupo prejudicava comerciantes de água mineral e aumentava os preços para os consumidores. Os criminosos cobravam um alto preço em liberdade e controle econômico de comerciantes. Ao todo, 340 policiais militares e 60 agentes participam da operação.
Integrantes de facção são condenados por cobrar 'taxa da água' de comerciantes em MT
Cortex AI
Resumen, sesgo y contexto.G1 Gloves



